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Brasil: Os planos de Ricardo Faria, um dos maiores donos de terras do país

4-1-2022, Revista Exame

O empresário Ricardo Faria se tornou um dos maiores produtores de grãos do país. Agora se prepara para abrir novas frentes no setor

Por Carla Aranha, do Piauí, e Graziella Valenti, de São Paulo

Eram 4 da manhã da terça-feira, dia 23 de novembro, quando o empresário Ricardo Faria, de 46 anos, pegou seu jato Citation CJ3 no aeroporto Catarina, em São Roque, São Paulo, e rumou para Baixa Grande do Ribeiro, no interior do Piauí.

Tudo no campo começa cedo. A viagem com duração de 3 horas em direção à Fazenda Ipê vem se tornando parte da rotina de Faria desde que ele comprou, no começo de novembro, a Insolo Agroindustrial por 1,8 bilhão de ­reais, empresa que pertencia a um fundo cujos recursos são do endowment da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. O negócio bilionário foi a mais recente tacada do empresário catarinense, que começou no fim dos anos 1990 com a Lavebras, uma lavanderia industrial, e se tornou um gigante no agronegócio em menos de 15 anos.

Dono da Granja Faria, que produz 7 milhões de ovos por dia, e à frente de mais de 120.000 hectares com lavouras de grãos, Faria já fatura mais de 2 bilhões de reais no campo. E, para 2022, o crescimento esperado é superior a 20%, sem considerar novas aquisições. Monitorar constantemente possíveis compras é parte essencial da estratégia de negócios do novo expoente do agro.

Nas 24 horas em que a reportagem da ­EXAME acompanhou Faria na visita à fazenda de 35.000 hectares no Piauí, o empresário percorreu a propriedade ao lado de seu braço direito, o engenheiro-agrônomo Flavio Inoue, CEO da companhia, que mora em Balsas, no Maranhão, cidade de 100.000 habitantes próxima à propriedade. O momento é de extrema atenção na fazenda: a soja, principal lavoura ali, havia sido semeada há poucas semanas. Um plantio malsucedido pode colocar em risco a alta produtividade de uma safra.

Faria ainda é um iniciante no mercado de grãos. Foi em 2020 que ele fundou a Terrus, ao investir 300 milhões de reais na compra de terras no Maranhão, Tocantins e Piauí. Por isso, o empreendedor coloca em prática o velho ditado do campo de que “o olho do dono é que engorda o gado”.

Em geral, Faria visita duas vezes por mês todas as fazendas do grupo. Na visita à Ipê, por exemplo, quis saber por que em determinado local, uma área de menos de 30 metros quadrados, as sementes não haviam vingado. E, quando o sinal de internet falhou, imediatamente pediu ao CEO para tomar providências com a operadora. “Sempre quis ter negócios no campo. O Brasil sempre será competitivo no agronegócio. Com o preço da terra cada vez mais alto, eu sabia que tinha de começar grande”, diz Faria.

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