Brasil e Japão atribuem ao governo de Moçambique a responsabilidade pelo Prosavana

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Conselheiro adjunto da Embaixada do Japão, Jiro Maruhashi.
UNAC | 28 de Julho de 2010

Brasil e Japão atribuem ao governo de Moçambique a responsabilidade pelo Prosavana

... e defendem que só estão no programa porque o Governo de Maputo os solicitou

HILARIO AGOSTINHO

Depois de apresentadas inquietações sobre os males que o Prosavana irá trazer para os camponeses moçambicanos (de facto, algumas consequências já se fazem sentir), os Governos de Brasil e Japão vieram em defesa dos seus países, alegando que só estão no programa porque o Governo de Moçambique assim os solicitou, estando eles apenas a contribuir como podem para o desenvolvimento da agricultura na região norte do país.

O representante do Governo Brasileiro (embaixada do Brasil em Maputo), Matheus de Carvalho, que falou para mais de 250 pessoas na Conferência Triangular dos Povos sobre o ProSavana – 24 de Julho de 2010 - defendeu sua parte referindo que seu país está presente no Prosavana para o desenvolvimento agrícola na área de pesquisa e tecnológica, assim como no melhoramento de sementes locais, para “ajudar os Moçambicanos”.

Carvalho sustentou sua posição dizendo que entre estes dois países existe uma cooperação diversificada que inclui mais de 30 projectos em Moçambique nos quais Brasil coopera e o Prosavana é apenas um deles.

Por seu turno, o Conselheiro adjunto da Embaixada do Japão, Jiro Maruhashi – que falou no mesmo painel sobre as responsabilidades do Brasil e Japão no ProSavana – disse que o objectivo do Prosavana é garantir segurança e soberania alimentar nos pequenos agricultores. No entanto, ele referiu, (justificando acusação de estar a implementar um programa que fora implementado no brasil), o projecto vai ser implementado respeitando as particularidades que este país tem, acrescentando que alguns Japoneses e Brasileiros estão a trabalhar no Corredor do Nacala, para o desenvolvimento de sementes de qualidade com vista a impulsionar a agricultura local. Tal como o representante do Brasil, Maruhashi referiu que o Japão está no ProSavana a pedido do Governo de Maputo.

Em reacção àqueles pronunciamentos, os representantes dos camponeses de Moçambique, Brasil, relacionam o ProSavana com o PRODECER, um programa que durante muitos anos desgraçou camponeses e povo indígenas brasileiros, e degradou acentuadamente o meio na região do cerado Brasileiro.

“O ProSavana será exactamente como o PRODECER que destruir a biodiversidade no Cerado Brasileiro e desalojou centenas de famílias camponesas e povos indígenas no Brasil. Eu não quero que o meu Governo transfira a desgraça do Brasil para Moçambique”, denunciou Fatima Melo da FASE.

Vicente Adriano, pesquisador da UNAC disse haver contradição no discurso dos Governos dos três países. Segundo apontou, já tiveram um encontro com o delegado de negócios da Embaixada do Japão para o questionar sobre pertença do financiamento do fundo de Nacala que pretende alavancar financeiramente o Prosavana, mas este atribuiu responsabilidade (do Fundo Nacala) ao Brasil. Irrequieta, a União Nacional dos Camponeses (UNAC) procurou satisfação junto da embaixadora do Brasil, ao que esta lançou também responsabilidade para o Japão.

Estas contradições levam os camponeses a concluírem que a não disponibilização da informação inerente ao Prosavana é uma forma de permitir que não se descubram os “mistérios” que estão à volta de um programa que prevê a “usurpação de 14 milhões de hectares de terra em 19 distritos das três províncias abrangidas no corredor de desenvolvimento do Norte”, concluiu Adriano.
Original source: UNAC
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