Discreta, Tiba Agro investe pesado na aquisição de terras

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Agro Link |15 March 2010

Photo : Agro Link.
Um grupo pouco conhecido de produtores rurais e investidores financeiros criou uma empresa com foco na aquisição de propriedades rurais, a Tiba Agro. À surdina, eles já têm em mãos 320 mil hectares de terras no Cerrado brasileiro, montante que supera o estoque acumulado por companhias como BrasilAgro, Calyx Agro e Sollus Capital.

O projeto surgiu de uma gestora de recursos, a Vision Brazil Investments, de dois ex-executivos do Bank of America: Fabio Greco e Amauri Fonseca Junior, que têm fatia de 25% da Tiba.

Para juntar os recursos necessários para a aquisição das áreas, eles levantaram US$ 300 milhões por meio de fundos de private equity, com cotistas americanos e europeus que passaram a ter 45% da companhia. Também se uniram a dois produtores rurais, os irmãos Francioni, da Bahia, e o grupo Golin, da região Centro-Oeste, que já possuíam algumas fazendas que foram trocadas por 30% da Tiba.

Agora, para dar corpo à nova companhia, todos os ativos, distribuídos em diversos veículos de investimento, estão sendo reunidos debaixo do guarda-chuva da Tiba Agro.

"A produção agrícola vai passar por um processo de consolidação como o que houve no varejo. Hoje, ela está muito pulverizada, distribuída entre diversos agricultores familiares. Isso deve mudar", diz Marcelo Marques Moreira Filho, presidente da Tiba Agro. Até 2008, Moreira Filho, que também foi sócio do Pátria Investimentos, comandou aquisições de laboratórios na Diagnósticos da América (Dasa).

O próximo passo da Tiba Agro será colocar suas 13 fazendas no Piauí, no Mato Grosso e na Bahia para produzir grãos, principalmente soja, algodão e milho. Hoje, só há plantação em 9,3 mil hectares. Para isso, cerca de US$ 300 milhões estão sendo levantados com investidores do Oriente Médio em um fundo de private equity. Os recursos também serão utilizados para a aquisição de novas áreas.

De acordo com Moreira Filho, conforme a produção avançar, a Tiba estuda separar os braços de aquisição imobiliária e de produção agrícola. A partir disso, poderia ser criado com as terras um fundo imobiliário, por exemplo.

O solo brasileiro tem atraído recentemente bilionários investimentos tanto locais quanto estrangeiros. Uma pesquisa feita no ano passado pela Grain, organização não-governamental espanhola de pesquisas e análises, apontou que um quarto dos 120 investidores globais de latifúndios já estão no Brasil. O negócio desses investidores é comprar a terra bruta a um preço baixo, torná-la própria para o plantio e depois vendê-la a valores mais alto.

Um exemplo de companhia que compra terras com capital estrangeiro e brasileiro é a Sollus, que tem como sócios o Pactual Capital Partners (PCP), o grupo argentino Los Grobo e o fundo americano de commodities Touradji. Ela possui 35 mil hectares de propriedades agrícolas e pretende encerrar o ano com 80 mil hectares, sem se envolver com a produção.

Já a BrasilAgro, com 174 mil hectares comprados por um fundo da Tarpon, pela argentina Cresud e por Elie Horn (fundador da Cyrela), tem um modelo de negócio mais parecido com o da Tiba Agro, que envolve a conversão de terras e a produção. Aproximadamente 50 mil hectares já estão sendo cultivados.

O curioso dessa indústria em criação no Brasil é que, apesar do crescente número de empresas que visam a compra de áreas cultiváveis, ninguém ainda se considera concorrente. Os participantes desse mercado conversam entre si e até trocam informações.

"O universo de terras cultiváveis no Brasil é tão grande que ainda é impossível existir concorrência. Tem espaço para todo mundo", afirma Flávio Inoue, presidente da Sollus.
Original source: Agro Link
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