Imobiliárias agrícolas transnacionais e a especulação com terras na região do MATOPIBA

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15-2-2018, Rede Social de Justiça e Direitos Humanos

Apresentação

Desde o início dos anos 2000, a Rede Social de Justiça e Direitos Humanos tem realizado pesquisas e publicado relatórios, livros e artigos sobre as principais políticas para o campo no Brasil e seus impactos para as comunidades rurais. Nossos estudos sobre os impactos econômicos, sociais e ambientais da expansão de monocultivos de commodities e da produção de agrocombustíveis resultaram na nossa análise sobre o contexto atual, que apresenta novos mecanismos de utilização da terra agrícola como ativo financeiro por empresas nacionais e internacionais.

A região predominantemente do nordeste brasileiro chamada de MATOPIBA tem sido alvo da especulação imobiliária agrícola e da expansão do agronegócio, que conta com incentivos fiscais e créditos subsidiados pelo Estado para financiar a produção de soja, milho, eucalipto, algodão e cana-de-açúcar. A escalada do preço da terra no MATOPIBA transformou a região em zona de interesse para a especulação fundiária. A possibilidade da compra de terras
a preço baixo ocorre no processo de formação das fazendas, muitas vezes através da grilagem, e causa o desmatamento do Cerrado nativo.

Depois de formada a fazenda para a produção de commodities, ocorre a tendência de inflação do preço da terra.

A expansão territorial de monocultivos é estimulada por agentes financeiros, principalmente fundos de pensão e de investimentos internacionais que se associam ao agronegócio
no Brasil. Não há contradição entre os interesses das empresas financeiras internacionais e
da oligarquia latifundista local. Pelo contrário, o conhecido mecanismo de grilagem de terras
é utilizado em novas fronteiras agrícolas e em muitas situações támbém é utilizado para facilitar a atuação de agentes internacionais no mercado local de terras. Este processo intensifica a exploração do trabalho e a violência contra povos indígenas, quilombolas e camponeses.

Em nossas pesquisas recentes sobre a expansão de monocultivos para a produção de agrocombustíveis (www.social.org.br) percebemos que após a crise econômica mundial de 2008 (com maior acentuação após 2014) há uma tendência de queda dos preços das commodities agrícolas no mercado internacional, mas o preço da terra agrícola no Brasil mantém uma tendência inflacionária, o que nos levou a perceber o processo de “descolamento” entre o mercado de terras e o mercado de commodities agrícolas. Este fato, somado aos nossos estudos sobre empresas imobiliárias rurais que foram criadas naquele período, nos levou a perceber o processo especulativo que aprofundamos na atual pesquisa.

A Rede Social de Justiça e Direitos Humanos agradece a participação das organizações,
movimentos sociais e colegas de universidades que contribuíram com este trabalho. Agradecemos em especial à Comissão Pastoral da Terra (CPT) por seu papel central e histórico na de fesa do direito à terra e território dos povos do campo.

Imobiliárias agrícolas transnacionais e a especulação com terras na região do MATOPIBA

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