El Tejar deixa parceiros em Mato Grosso sob risco de calote

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30-6-2015, Brasil Noticias
Luiz Kaufmann, o CEO do grupo El Tejar no Brasil: o presidente d’O Telhar perdeu a confiança dos fazendeiros e muitos já estão buscando a Justiça para recuperar prejuízos e se preservarem suas terras

A crise financeira está abalando a confiança do mercado do agronegócio no Grupo El Tejar, um dos maiores produtores de commodities no Brasil. Segundo uma fonte ligada ao grupo, os fundos de investimentos que sustentam as operações do El Tejar no país vem reduzindo ano a ano as injeções de recursos, o que teria gerado um “rombo” bilionário na liquidez da companhia e cujos efeitos começam a ser sentidos.

As dificuldades financeiras do El Tejar se tornaram evidentes com os atrasos constantes nos repasses devidos a grandes agricultores parceiros. Um dos casos emblemáticos da falta de recursos do grupo é o não pagamento do arrendamento de uma grande fazenda no município de Ipiranga do Norte (MT), distante 438 km de Cuiabá.

O “calote” que o El Tejar vem aplicando aos proprietários da propriedade já se tornou publico e tem causado mal-estar entre os produtores da região norte de Mato Grosso que possuem contratos de parceria com o grupo que tem como presidente, o brasileiro Luiz Kauffmann.

Operando em um sistema misto de co-propriedade, arrendamento e locação de serviços, o El Tejar explora atualmente mais de 300 mil hectares de lavouras em Mato Grosso e movimenta algo como R$ 1,5 bilhão.

Nos últimos três anos, conforme informações de uma fonte ligada ao grupo, o El Tejar teria acumulado um prejuízo de cerca de R$ 500 milhões em suas operações. As perdas seria conseqüência tanto da redução direta do fluxo de investimentos pelos fundos estrangeiros quanto de erros na arquitetura do seu modelo de negócios.

Ainda conforme a mesma fonte, há sinais de que o grupo esteja preparando a liquidação das suas operações no Brasil. Se isso acontecer de fato, muitos fazendeiros que mantém contratos com o El Tejar poderão falir e até mesmo perderem as terras que estejam sob controle do grupo.

“O modelo de negócios do El Tejar é extremamente arriscado para os parceiros locais. O sistema foi montado prevendo a compra de grandes áreas de terras para em seguida, assim que estas atingissem seu pico de valorização, serem vendidas. No entanto, a lei de restrição da compra de grandes fazendas por estrangeiros ‘quebrou’ no meio essa estratégia. Foi aí que eles optaram por esse esquema de aquisição indireta das fazendas, pelo uso de contratos de gaveta. O esquema deixa exposto aos maiores prejuízos os parceiros locais caso o grupo resolva se retirar de repente das operações ou simplesmente dar um calote nos compromissos assumidos”, explica a fonte que tem acesso às decisões da cúpula do grupo.    

Conforme o Jornal CO Popular e o portal Brasil Notícias já denunciou em edições passadas, o grupo El Tejar mantém uma grande carteira de imóveis rurais que teriam sido adquiridos ilegalmente por meio de operações fictícias de arrendamento, contratos de promessa de compra e venda, hipoteca fiduciária ou ainda por puro e simples “contratos de gaveta”.

PARASITA E CANIBAL

O sistema arquitetado pelos fundadores e diretores do El Tejar para controlar grandes fazendas em território brasileiro - ao arrepio da legislação que rege e limita a propriedade de terras no Brasil por estrangeiros – no entanto, começa a fazer água. Muitos “parceiros” em Mato Grosso já romperam contratos e estão recorrendo a Justiça para se ressarcirem de prejuízos após perceberem que o modelo do grupo, na verdade, “canibaliza” suas propriedades, esgotando o solo e depauperando suas estruturas físicas como galpões, silos, alojamentos e sedes sem lhes dar o retorno financeiro prometido.

“Esse grupo (El Tejar) é um parasita, ele gruda e vai sugando tudo o que a propriedade tem de melhor, usa e não investe na conservação, na melhoria. Na minha fazenda, pelo menos, em três anos de parceria com o El Tejar, eles não investiram nada, minha sede está acabada, meus galpões caindo aos pedaços e minhas terras estão saturadas. Se o arrependimento de ter feito esse contrato (arrendamento) com eles matasse, eu já estaria morto”, conta um fazendeiro da região norte do estado.

O fazendeiro arrependido – que pediu para que seu nome fosse omitido para “evitar maiores problemas com os gringos” - revela que está estudando com seus advogados o que fazer para evitar que o El Tejar destrua sua propriedade antes do fim do contrato. “O mais provável é que nós peçamos na Justiça a rescisão antecipada do contrato”, adiantou.

ORIGEM

Fundada em 1987 por um grupo de famílias de agricultores da região de Saladillo, na Argentina, incluindo os Alvarado, Pallette, Pueyrredón e Kasdorf, a empresa El Tejar (O Telhar no Brasil) em pouco tempo se tornou o primeiro grande pool de produtores com terras arrendadas naquele país. Destaque-se que na Argentina mais de 60% da agricultura de exportação é feita em terras arrendadas.

O El Tejar logo se expandiu para outros países, levando seu modelo de negócios para o Brasil, Uruguai e Bolívia. Em 2012, o grupo plantou cerca de 650.000 hectares, somando todas as suas operações nos quatro países, dos quais entre 65% e 70% da área era  alugada.

Mas, em 2010, quando o então presidente e inspirador do grupo, Oscar Alvarado morreu, a empresa já era uma das que mais plantava no mundo, com quase um milhão de hectares em produção.

Capital inicialmente nacional, em 2007 o El Tejar abriu sociedade para fundos estrangeiros. Seus primeiros sócios foram os ingles Altima Partners e o fundo norte-americano The Capital Groups. Juntos, os dois fundos passaram a deter 75% do capital do El Tejar enquanto os demais sócios somam 25% de participação.

Em 2013, os fundos injetaram 300 milhões dólares para a empresa ampliar sua presença no Brasil e mudar seu modelo de negócios de utilizar terras alugadas para baseá-lo em terras próprias. O motivo: as mudanças nas regras econômicas impostas pela presidente Christina Kishners, da Argentina, e a supervalorização das terras na região de Santa Fé, naquele país.

Os dólares dos fundos de investimento ajudaram o presidente do El Tejar, o brasileiro Luiz Kaufmann - que assumiu o comando do grupo em março de 2013 -, a consolidar as operações brasileiras e efetivar a mudança da sede da empresa para São Paulo.

 Coube a Kaufmann encerrar as operações do El Tejar no Uruguai, Bolívia e Paraguai e elaborar e executar a estratégia de “driblar” as leis brasileiras para manter as lucrativas operações do grupo no país. Hoje, o El Tejar opera apenas no Brasil, onde concentra suas atividades principalmente em Mato Grosso, e na Argentina, onde residem os sócios-fundadores minoritários.
Original source: Brasil Noticia
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